As imagens de celular já nascem com um caminho predefinido: vão direto para um repositório, seja numa pasta no computador, seja um backup na nuvem, seja nas redes sociais.

Como interagir com essas imagens? Como encarar esse acervo? Como fazer desse acúmulo uma rede?

Leandro Pimentel, no seu livro O inventário como tática: a fotografia e a poética das coleções, chama de “inventariar” o ato de escolher, recolher, nomear, numerar, classificar e deixar a disposição (PIMENTEL, 2010). É a partir de tal definição que passo a lidar com minhas imagens. Decido inventariar meu acervo, para isso resgato a potência de organização e síntese trazida pelas hashtags.

Hashtags são palavras chaves (tags), usadas principalmente em redes sociais para dar visibilidade às palavras, graças a algoritmos criados por essas mesmas redes que permitem localizar mais rapidamente palavras acompanhadas de uma cerquilha (#-hash). A hashtag funciona também como um mecanismo de agrupamento de textos e imagens por temas e categorias. Mas nem sempre a decisão de usá-las no momento do compartilhamento responde a essa intenção.

As hashtags são, muitas vezes, apenas uma forma de expressar um sentimento, passar uma mensagem, sem pretensão de facilitar buscas posteriores. Não existe um número limite de hashtags que pode ser atribuída a uma imagem (COSTA-MOURA, 2017). Isso parece apenas agravar o problema do excesso que se observa nas redes sociais. Ao serem usadas sem o propósito de filiar a informação a uma cadeia, elas fogem de sua lógica inicial e se tornam um dado que visa apenas acelerar a leitura da imagem dentro de uma linha do tempo.

Elas se tornam então uma ferramenta de construção do inventário que proponho, que permite transitar entre as informações, me distanciar para me aproximar, buscar uma unidade na diversidade, para traduzir como narrativa o vazio que quase sempre resta do caos.