Apesar das mudanças que a tecnologia digital impôs à fotografia, as imagens ainda cumprem o objetivo de guardar uma recordação e compartilhar um momento com amigos e conhecidos. A principal mudança ocorreu na dinâmica com que isso acontece, por conta das diversas ferramentas que facilitam o compartilhamento e distribuição de imagens por meio das redes sociais.

Muito diferente dos álbuns de família, as imagens hoje são compartilhadas em um fluxo alucinante.

Boa parte da comunicação interpessoal se baseia em imagens, para informar seu destino a um familiar, basta enviar uma selfie, ao viajar pode-se atualizar imediatamente todo o roteiro percorrido.

Para existir no ambiente digital, as imagens precisam ser compartilhadas, acessadas e curtidas, após isso, elas retornam a um estado de invisibilidade, uma nova forma de latência criada por essa existência em rede, como sintetiza o professor e pesquisador de fotografia Rubens Fernandes:

“O avanço tecnológico foi dotando a humanidade de artefatos que ampliaram significativamente a possibilidade receptiva, mas ao mesmo tempo, notamos o aparecimento de mediações cada vez mais complexas entre os homens, e entre estes e a realidade. Mas a recepção continua sendo um ato solitário. Hoje, as imagens se propagam com tal velocidade que, em questão de minutos entre o fazer e disponibilizar, curtir e compartilhar, tornam-se irrelevantes, ou seja, invisíveis, descartáveis.” (FERNANDES JUNIOR,2012).

Ao buscar uma forma de assumir esse caráter efêmero das imagens, dando destaque aos fluxos intensos de informação impostos pelas redes, optei por trabalhar com gifs animados. Apesar de ser um formato arcaico dentro dessa breve história das imagens digitais, nos últimos tempos, os gifs reaparecem como uma moda nas redes sociais, como uma forma de assumir a leveza e a precariedade das informações que hoje circulam nesse espaço.

Trata-se de uma “imagem pobre”, como sugere Hito Steyerl em seu ensaio Em defesa da imagem ruim. Nesse artigo, a artista analisa as mudanças estéticas que as imagens de baixa definição trouxeram para o meio audiovisual, por conta do surgimento de novos modelos de compressão de arquivos que priorizam o acesso, e não tanto a resolução.

A baixa qualidade da imagem denota seu potencial de popularidade, uma vez que essa é uma característica de imagens que foram compartilhadas, copiadas e comprimidas diversas vezes.

“Sua qualidade é fraca; sua resolução, abaixo do padrão. À medida que acelera, ela vai se deteriorando, uma imagem itinerante distribuída livremente, espremida em meio a conexões lentas, comprimida, reproduzida, ripada, remixada, e também copiada e colada em outros canais de distribuições. Essas imagens são pobres porque nenhum valor é atribuído a elas na sociedade de classes das imagens.” (STEYERL,2015).

O gif animado é usado no projeto não apenas pela sua capacidade de compressão, mas também pelo modo como permite construir uma imagem híbrida, que se situa nos limites entre a fotografia e o vídeo.