O conceito de rede social que potencializa um espaço de trocas e compartilhamentos de imagens, transformou a noção de público e privado: tudo o que se compartilha na rede se transforma em informação pública, independente das intenções iniciais do autor e de um destinatário que seja pressuposto. O produto, nesse caso a imagem, ganha vida própria ao ser postada nas redes e perde-se em meio a diversas outras imagens. Uma forma mínima de controle que o autor pode sugerir é, por meio de tagueamentos, indicar uma associação possível entre essa imagem e um conjunto de outras que podem ser buscadas.

A questão da autoria perde lugar então para a questão da mediação: assumir que não é mais relevante aparecer como a autora da imagem, mas sim sugerir uma direção a ser dada a elas dentro desse espaço público, trabalhando com as possibilidades trazidas pelas redes, palavras e códigos.

Ao buscar entender o funcionamento da lógica colaborativa de rede, deparei-me com o conceito de “folksonomia”, que busca entender o fundamento de criação de terminologias pela ação conjunta das pessoas. Esse conceito, criado em 2004 por Thomas Vander Wal, é uma forma de alcançar a lógica das categorizações disponíveis na internet.

“O uso on-line de tags – palavras-chave que caracterizam um assunto ou categoria, seja de uma imagem, texto ou som – é classificado como tagging ou folksonomia, de Folk – povo/pessoas e Taxonomia – estudo e classificação sistemática. Assim, o termo folksonomia pode ser traduzido como classificação feita pelas pessoas. A folksonomia (…) funciona através da atribuição de tags (etiquetas), pelos próprios usuários da web, a arquivos disponibilizados on-line. Assim, é o usuário que representa e recupera informações através das tags que ele mesmo cria.” (RUFINO, 2017).

Assumo meu lugar como desencadeadora de fluxos de imagens, coloco-me em frente a meu acervo e encaro as diversas possibilidades e conexões que ele me possibilita. Compartilho na rede o que cada interconexão cria, tornando público um acervo pessoal de imagens, ao mesmo tempo que abro mão do controle da autoria para seguir a lógica do compartilhamento.